
Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo...
sábado, 31 de julho de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
Escudos
Eu não tenho tempo pra falar teu nome
Eu não tenho nome pra você dizer
Meu café jamais vai matar sua fome
Nada que tu traga vai me apetecer
Sinistro parece que a gente se deu ao desfrute de nada
Tua tanga na manga do mágico falso
Tuas mãos na cartola teu corpo no palco
Traga pra cá tudo
Deixa o seu ser mudo me fazer falar
Traga pra cá tudo
Deixa o seu ser mudo me fazer falar
Traga pra cá tudo
Deixa o seu ser mudo me fazer falar
Não contei ainda teus escudos sujos
Sabe que eu te estudo sem me aproximar
O teu santo gringo me mostrou teu mundo
Vi que no escuro tu fica a chorar
Se Shiva me disse pra ter paciência
Te pego no beco do sino da crença
Te assusto com a ira da minha demência
Traga pra cá tudo
Deixa o seu ser mudo me fazer falar
Traga pra cá tudo
Deixa o seu ser mudo me fazer falar
Traga pra cá tudo
Deixa o seu ser mudo me fazer falar
Se Shiva me disse pra ter paciência
Te pego no beco do sino da crença
Te assusto com a ira da minha demência
Traga pra cá tudo
Deixa o seu ser mudo me fazer falar...
Maria Gadú, numa composição GENIAL.
ADORO>
domingo, 25 de julho de 2010
Ali.
sábado, 24 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
A arte livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos.
O amor, o sono, as drogas e intoxicantes, são formas elementares da arte, ou, antes, de produzir o mesmo efeito que ela. Mas amor, sono, e drogas tem cada um a sua desilusão. O amor farta ou desilude. Do sono desperta-se, e, quando se dormiu, não se viveu. As drogas pagam-se com a ruína de aquele mesmo físico que serviram de estimular. Mas na arte não há desilusão porque a ilusão foi admitida desde o princípio. Da arte não há despertar, porque nela não dormimos, embora sonhássemos. Na arte não há tributo ou multa que paguemos por ter gozado dela.
O prazer que ela nos oferece, como em certo modo não é nosso, não temos nós que pagá-lo ou que arrepender-nos dele.
Por arte entende-se tudo que nos delicia sem que seja nosso — o rasto da passagem, o sorriso dado a outrem, o poente, o poema, o universo objectivo.
Possuir é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa a sua essência.
Bernardo Soares, Do livro do Desassossego.
ps: Tô mais insana ainda, mamãe não devia me permitir essas leituras.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
Domingos Matam Mais Homens que Bombas

devido às condições do fim de semana, e embora haja
poluição demais, tudo está engarrafado
e é pior que mastros quebrados na tempestade
você não vai a lugar algum
e se for, estão todos olhando pelas vidraças
ou esperando pelo jantar, e não importa o quanto esteja ruim
(não a vidraça, o jantar)
eles vão passar mais tempo falando nisso
do que comendo,
e é por isso que minha mulher se livrou de mim:
eu era um tosco e não sabia quando sorrir
ou ainda (pior) eu sabia,
mas não o fazia, e numa tarde
com gente pulando em piscinas
e jogando cartas
e assistindo comediantes de TV cuidadosamente barbeados
em camisas brancas engomadas e finas gravatas
brincando sobre aquilo que o mundo havia feito com eles,
eu fingi uma dor de cabeça
e eles me deram o quarto da mocinha
(ela tinha uns 17)
e , droga, eu me arrastei sob seus lençóis
e fingi que dormia
mas todo sabiam que eu era um farsante encurralado,
mas eu tentei todos os truques –
tentei pensar em Wilde atrás das grades,
mas Wilde estava morto;
tentei pensar em Hemingway atirando num leão
ou andando pelas ruas de Paris
orgulhoso com seus parceiros malucos,
as putas enlanguescendo-se até seus belos joelhos
mas tudo que fiz foi girar entre seus jovens lençóis,
e da cabeceira, balançando em minha tempestade nervosa,
vários bibelôs caíram em mim –
elefantes, cachorros de vidro com olhares sedutores
um menino e uma menina carregando um balde d’água,
mas nada de Bach ou conduzido por Ormandy,
e eu finalmente desisti, fui até a privada
e tentei mijar (eu sabia que ia ficar constipado
por uma semana), então eu saí
e minha mulher, uma leitora de Platão e de e.e. cummings
subiu e disse “ooooh, você devia ter visto
BooBoo na piscina! Ele deu cambalhotas e piruetas
e foi a coisa mais engraçada que você
JAMAIS viu!”
acho que não foi muito depois que o homem veio
ao nosso apartamento no terceiro andar
pelas sete da manhã
e me entregou uma notificação de divórcio,
e eu voltei pra cama com ela e disse,
não se preocupe, está tudo bem, e
ela começou a chorar chorar chorar,
me desculpe, me desculpe, me desculpe,
e eu disse, por favor pare,
lembre do seu coração.
mas naquela manhã quando ela saiu
pelas 8 da manhã ela parecia
a mesma de sempre, talvez até melhor.
nem pensei em me barbear
liguei dizendo que estava doente e desci
até o bar da esquina.
C.Bukowski
Merecidamente.
L.T

terça-feira, 6 de julho de 2010
.jpg)
Deste modo ou daquele modo, Conforme calha ou não calha, Podendo às vezes dizer o que penso, E outras vezes dizendo-o mal e com misturas, Vou escrevendo os meus versos sem querer, Como se escrever não fosse uma cousa feita de gestos, Como se escrever fosse uma cousa que me acontecesse Como dar-me o sol de fora. Procuro dizer o que sinto Sem pensar em que o sinto. Procuro encostar as palavras à ideia E não precisar dum corredor Do pensamento para as palavras. Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir. O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar. Procuro despir-me do que aprendi, Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras, Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro, Mas um animal humano que a Natureza produziu. E assim escrevo, querendo sentir a Natureza, nem sequer como um homem, Mas como quem sente a Natureza, e mais nada. E assim escrevo, ora bem, ora mal, Ora acertando com o que quero dizer, ora errando, Caindo aqui, levantando-me acolá, Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso. Ainda assim, sou alguém. Sou o Descobridor da Natureza. Sou o Argonauta das sensações verdadeiras. Trago ao Universo um novo Universo Porque trago ao Universo ele-próprio. Isto sinto e isto escrevo Perfeitamente sabedor e sem que não veja Que são cinco horas do amanhecer E que o sol, que ainda não mostrou a cabeça Por cima do muro do horizonte, Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos Agarrando o cimo do muro Do horizonte cheio de montes baixos.
Alberto Caeiro - O Guardador de Rebanhos - 10/05/1914
O pastor amoroso.
Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei de fazer das minhas sensações.
Não sei o que hei de ser comigo sozinho.
Quero que ela me diga qualquer cousa para eu acordar de novo
sexta-feira, 2 de julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Julho frio.
Perder um amigo porque ele foi fazer um câmbio no méxico, tudo bem.
Ou porque o carro do sorvete o atropelou, ok.
Mas perder um amigo por birra do pobre coitado, é patético.
Tão patético quanto quanto ele não querer aceitar que não é perfeito.
Triste, maaaaas...
O bom (não pra ele) é que sou opiniosa demais.
E minha indiferença é ferida certeira!
Rá!